28 de jan. de 2008

Arrumar cama: uma arte para grande parcela da população.

Os olhos castanhos escuros correram pelo pedaço de pano no chão. Segurou duas extremidades e estendeu à frente. Ok, pegou as pontas certas - provando que o pano era um retângulo perfeito. Pôs-se de frente para a cama chacoalhou o pano no alto, vendo-o deslizar e cobrir toda a extensão da cama.
Perfeito como deveria sempre ser.
Mas não tão rápido assim. A colcha ficou torta sobre a cama, a linha reta dela está torta, parecendo mais uma caminho de rato que uma reta. Cerrou os olhos em desagrado. Por que a colcha simplesmente não podia deslizar linda e perfeita sobre o colchão?! Segurou o lado curto mais uma vez e estendeu. Lindo, a linha estava reta - diagonalmente. Decidiu que seria melhor arrumá-la sem a tirar da cama. Deitou-se sobre a colcha florida e fez a linha reta ficar reta retamente.
Ótimo.
Não, espere! Não está centralizado. O pedaço de pano que escorreu pela esquerda da cama era muito maior que aquele que escapava do lado direito! Afastou a cama da parede e puxou a colcha e, mais uma vez, a reta não ficou reta. Andou até o pé da cama e puxou o pano. Droga, ficou aparecendo parte do colchão lá na cabeceira.
Em passos rápidos, contornou a cama e puxou a colcha. Examinou o trabalho com receio - e estava certa. A colcha não estava lisa. Deslizou as mãos pelo pano fofo, ajeitando cada dobrinha ou morrinho formado e... a marca de sua mão fez outros morrinhos e amassados.
Foi até o pé de cama em passos enraivecidos. Puxou mais uma vez a colcha para cima e observou, de dedos cruzados, que, desta vez, tudo ficasse perfeito.
No entanto, nada é perfeito. Lá em cima, a ponta dobrou. Longas passadas até lá e ajeitou o pedacinho, mas nada é tão simples assim. A linha reta ganhou ondulações e estava na diagonal, parecendo um caminho de rato. O tecido ficou todo engrunhado e ondulado, com marcas. Além do lado direito ter transformado-se em um acúmulo de pano, tem mais cocha perto da cabeceira que no pé. O lado esquerda estava quase sem colcha, uma flor parecia ter sido feita em alto relevo e, ainda, a mãe adentrou ao quarto, jogando três amofadas e um travesseiro exatamente no meio da cama.
Respirou fundo e, pisando firme e apertando os dedos entre as mãos, foi até a extremidade da cama. Segurou firme as pontas da colcha e puxou-a, levando o tecido florido para a sala, onde adormeceu pelo resto do dia.
Perfeccionistas não deviam arrumar a cama.

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