10 de fev. de 2008

His Little Baby


O Sol entrava pelas frestas do portão e clareva todo o local. Para ver-se não havia muito, mas os grupos formados em volta das várias mesas tratavam de encher o local de sons - murmúrios irritantes. Mas alguém, ali no fundo - um ínfimo ser -, chamava atenção.
Uma pequenina criatura que, graças aos tantos colos disponíveis, encarava a todos nos olhos sem especuliações. Os olhinhos miúdos vasculhavam qualquer detalhe, e suas conclusões eram mantidas para si. A pele clara como da alva iluminadora da manhã em contraste co tantas ai já escravas do Sol.
A única pureza em meios das almas então moldadas pelo mundo. Almas femininas com histórias parecidas, mas com pontos de vistas que diversificavam em vários aspectos. Cada qual tentando contar sua história afim de convencer os demais que a sua era diferente.
Um verdadeiro afosuê de fofocas.
A pequena divertia-se entre colares e flores até o portão se abrir.
O único ser masculino no recinto apareceu. Todas as mulheres, indigadas, trataram de levá-lo direto para dentro da casa, mas ela, coitada, já havia sentindo.
No colo da loura, a pequena começou a procurar a voz do jovem cabeludo. Para onde olhava, ele não estava e, assim, o desespero apossou-se de si.
O choro entrava pelos ouvidos dos presentes, porém, ninguém incomodou-se. Um choro agoniante e sincero, carente da presença masculina que queria ver.
O jovem cabeludo veio em sua direção, com um largo sorriso, e a miúda jogou-se em seu colo.
A única forma de verdadeiro amor é vista; de filha para pai, mutuamente.

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